Grohnde foi sincronizado pela primeira vez com a rede em 5 de setembro de 1984. Foi o principal reator do país em termos de geração anual de energia por oito vezes e tem um fator de disponibilidade médio de 92% desde que entrou em operação.

A planta atualmente é responsável por cerca de 12% da geração de eletricidade na região da Baixa Saxônia. Nos últimos anos, a usina tem servido cada vez mais como reserva, ajudando a estabilizar o fornecimento de energia na Alemanha.

Além de gerar uma quantidade recorde de eletricidade, a operação da usina de Grohnde evitou a emissão de 400 milhões de toneladas de carbono, que de outra forma seriam produzidas por usinas movidas a carvão e gás, de acordo com a operadora PreussenElektra.

"Nossas usinas de energia ainda estão entre as melhores do mundo", disse Erwin Fischer, diretor de tecnologia e operações da PreussenElektra. "Elas provaram isso novamente no ano passado, sob as difíceis condições de pandemia. Estamos muito satisfeitos que Grohnde tenha conseguido estabelecer esse recorde em seu último ano de operação".

De acordo com a política de eliminação da energia nuclear da Alemanha, até 31 de dezembro deste ano serão fechadas Grohnde e mais duas usinas nucleares, que somadas representam cerca de metade da geração de energia nuclear do país.

Pode-se esperar que um país que está sofrendo uma grave crise energética esteja tentando de tudo para expandir a oferta, mas dos dezessete reatores em operação há 10 anos, fornecendo 25% da energia elétrica da Alemanha, restarão apenas três no ano que vem, todos programados para serem desativados ainda em 2022.

"É difícil pensar em uma política mais autodestrutiva em termos econômicos, climáticos e geopolíticos", pondera o Wall Street Journal (WSJ).

Más escolhas políticas levaram à escassez de fornecimento de energia, avalia o jornal.

"As desativações eram esperadas há anos, mas manter os reatores operando durante o tempo de vida anteriormente planejado poderia ter ajudado a aliviar parte da dor que os alemães estão sentindo agora, à medida que a crescente demanda global aumenta o custo da energia", opina o WSJ.

De acordo com o WSJ, em um ano os preços da eletricidade na Alemanha saltaram para € 300 por megawatt-hora – para efeito de comparação, a média de 2010 a 2020 foi de menos de € 50 por megawatt-hora.

"O movimento antinuclear tem o apoio de muitos alemães obcecados com a mudança climática, mas o abandono da energia nuclear, livre de carbono, teve resultados previsíveis nas emissões. O carvão foi a principal fonte de energia do país no primeiro semestre de 2021, gerando mais de um quarto da eletricidade da Alemanha. A energia eólica e a solar produziram 22% e 9%, respectivamente, enquanto a energia nuclear caiu para cerca de 12%", informa o WSJ.

O periódico lembra que a França, que depende fortemente da energia nuclear, produz cerca de metade do dióxido de carbono per capita que a Alemanha e está respondendo à crise energética com a construção de mais reatores nucleares.

"Berlim –  à mercê do sol e do vento – agora está aprofundando sua dependência do gás russo para manter as luzes acesas", critica o WSJ, constituindo a "rendição energética da Alemanha".

O governo alemão agora está pressionando para manter a energia nuclear fora da lista da União Europeia de "atividades econômicas ambientalmente sustentáveis", uma designação que poderia reduzir o custo de financiamento de projetos nucleares.

"Já é ruim o suficiente que os alemães tenham minado sua própria segurança energética, mas eles não deveriam impor sua política autodestrutiva ao resto do continente", conclui o WSJ.

* Com informações do Deister- und Weserzeitung, PreussenElektra GmbH, World Nuclear Association, Wall Street Journal

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