"A pandemia ainda não acabou. Uma onda Ômicron no outono é provável. Mas mesmo a perigosa variante Delta poderá voltar", disse Lauterbach ao Rheinische Post, de Düsseldorf, em referência a um estudo israelense.

No estudo, a variante Delta foi detectada em amostras de esgotos de Beersheba, no sul de Israel, de dezembro de 2021 a janeiro de 2022.

“Em contraste com a dinâmica esperada, os resultados recebidos da detecção de águas residuais indicaram uma circulação enigmática da variante Delta, mesmo com os níveis aumentados da variante Ômicron”, disseram os pesquisadores. “Apesar disso, o desenvolvimento futuro e a dinâmica das duas variantes lado a lado ainda são principalmente desconhecidos”.

“É claro que há muitos fatores envolvidos, mas o nosso modelo indica que pode haver outro surto de Delta ou outra variante de coronavírus neste verão”, conclui o artigo israelense.

A Alemanha deve se adaptar a ambos os cenários. No país, a subvariante BA.2 do Ômicron é dominante, respondendo por 97% das novas infecções. A variante Delta, associada a complicações mais graves, é atualmente raramente detectada, de acordo com o último relatório semanal do Instituto Robert Koch (RKI).

"Precisamos de vacinas contra ambas as variantes. Isso vai ser muito caro. Mas outro outono perdido seria inestimável para a economia", disse Lauterbach. O governo alemão espera uma vacina contra a variante Ômicron em setembro.

Na entrevista ao Rheinische Post, Lauterbach mostrou que continua lamentando a derrota da proposição da imunização compulsória.

"A vacinação compulsória facilitaria tudo. A União é culpada se a lacuna vacinal levar a mortes e restrições evitáveis", disse ao jornal. "Sem o bloqueio tático partidário, a vacinação obrigatória teria vindo".

O ministro disse ainda que a exigência de máscara nos transportes públicos e nos aviões deve ser mantida, mesmo no verão.

"Mesmo no verão, devemos permanecer atentos. Qualquer um que agora engana as pessoas a acreditar que covid-19 é história vai se arrepender amargamente no outono”, alertou Lauterbach.

Segurança jurídica

Nesta segunda-feira (16), após uma reunião através de videoconferência, os ministros da saúde dos 16 Estados alemães decidiram que restrições mais duras devem ser novamente impostas "se forem necessárias".

"A pandemia ainda não acabou – não devemos ser enganados pelas atuais incidências em declínio", disse a Ministra da Saúde da Saxônia-Anhalt, Petra Grimm-Benne, que preside a Conferência dos Ministros da Saúde (GMK).

De acordo com a GMK, novas variantes de vírus devem aparecer no outono e inverno europeus.

"É por isso que o Ministério da Saúde federal deve elaborar um plano diretor para combater a pandemia o mais rápido possível e coordená-lo com os Estados", disse Grimm-Benne.

Os preparativos também devem incluir uma alteração da Lei de Proteção contra Infecções, instaram os ministros. Eles querem ver os Estados com poderes para reagir à situação de infecção no outono e inverno. Eles pediram ao governo para iniciar o processo legislativo em tempo hábil, e envolver os Estados ativamente.

A Lei de Proteção contra Infecções expira em 23 de setembro. A Alemanha afrouxou grande parte de suas restrições nos últimos meses, no entanto, as máscaras ainda são obrigatórias no transporte público, bem como nos aviões.

Os ministros da saúde disseram que, a partir do outono, deve ser possível que os Estados tornem as máscaras obrigatórias em ambientes fechados dependendo da situação de infecção regional. Anteriormente, usar máscara era obrigatório na Alemanha para fazer compras e em restaurantes e bares.

Além disso, a chamada regra 3G para acesso – onde as pessoas devem apresentar comprovante de vacinação, recuperação ou um teste negativo – deve ser reativada, bem como outras regras contra infecções, disseram os ministros.

O Ministro da Saúde da Baviera, Klaus Holetschek, saudou o apelo unânime dos ministros para uma revisão da Lei de Proteção contra Infecções. "Os Estados devem ser capazes de tomar todas as medidas necessárias de proteção contra infecções de forma rápida, eficaz e com segurança jurídica".

O Ministro da Saúde da Renânia do Norte-Vestfália, Karl-Josef Laumann, disse que ninguém deve "se embalar em uma falsa sensação de segurança".

Associação Alemã de Cidades e Municípios

A Der Deutsche Städte- und Gemeindebund (DStGB) pediu aos governos federal e estaduais que se preparem para uma nova onda de infecções. As possibilidades de vacinação devem ser mantidas, disse o presidente da entidade, Gerd Landsberg.

Embora não faça sentido operar em grande escala centros de vacinação no momento, concedeu Landsberg, é necessário “planejar quando criar oportunidades adicionais de vacinação novamente e sob quais circunstâncias”.

O dirigente expressou ceticismo sobre a abolição da exigência de máscara em ônibus e trens. Muitas pessoas se acostumaram a usar máscaras, ponderou.

“Provavelmente teremos que reforçar essas precauções no outono, especialmente porque a proteção associada é eficaz não apenas contra a infecção pelo vírus da covid-19, mas também contra os vírus da gripe”, disse Landsberg.

* Com informações do Tagesspiegel, Zeit, The Local

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