Os criadores da Sputnik confirmaram em rede social na noite de quinta-feira (8) que funcionários do governo alemão estão em negociações com o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), que financiou o desenvolvimento da vacina, para um contrato de compra antecipada de doses de Sputnik V.

Em meio a divisões na União Europeia (UE) sobre a vacina russa, o Ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, havia dito anteriormente que o país estava preparado para agir sozinho, sem os outros 26 membros, se isso significasse que poderia acelerar sua campanha de vacinação.

“A Comissão da UE disse ontem que não assinará contratos (para a Sputnik) como fez para outros fabricantes – como a BioNTech, por exemplo – então eu disse ... que manteremos negociações bilaterais com a Rússia”, explicou Spahn à emissora pública WDR.

“Para realmente fazer a diferença em nossa situação atual, a entrega teria que vir nos próximos dois a quatro, cinco meses – caso contrário, teremos vacinas mais do que suficientes”, disse Spahn, enfatizando que qualquer compra depende da vacina ter seu uso autorizado na UE pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

Spahn disse que a Alemanha está buscando um “compromisso vinculante sobre as quantidades que poderiam chegar especificamente à Alemanha após a aprovação regulatória e quando”.

A Alemanha coordenou até agora sua compra de vacinas com a UE. Desde que as inoculações começaram no final de dezembro, o país administrou vacinas produzidas pela Pfizer-BioNTech, AstraZeneca e Moderna.

Mas o Estado da Baviera disse na quarta-feira (7) que assinou uma carta de intenções para comprar até 2,5 milhões de doses da vacina Sputnik V, após aprovada pela EMA.

Na quinta-feira, o estado pouco povoado de Mecklenburg-Vorpommern, onde o disputado gasoduto Rússia-Alemanha Nord Stream 2 está quase concluído, encomendou um milhão de doses da Sputnik V.

“Estamos atualmente em uma fase em que somos altamente dependentes de poucos fabricantes”, disse o Ministro da Saúde de Mecklenburg-Vorpommern, Harry Glawe, citado pela agência de notícias DPA.

As autoridades alemãs deixaram claro que seguirão a recomendação atual de administrar a vacina da AstraZeneca apenas em pessoas com mais de 60 anos de idade, em linha com as maiores nações europeias.

A Anvisa solicitou na quarta-feira (7) a inclusão de possíveis ocorrências tromboembólicas com trombocitopenia no item “Advertência e Precauções” da bula da vacina de Oxford/Astrazeneca/Fiocruz.

A principal condição é chamada de trombose do seio venoso cerebral (cerebral venous sinus thrombosis - CVST), uma complicação potencialmente fatal que ocorre no cérebro quando um coágulo de sangue se forma nos seios venosos, impedindo que o sangue seja drenado. Como resultado, as células sanguíneas podem se romper e vazar para os tecidos cerebrais, formando uma hemorragia.

A CVST é uma forma rara de AVC. Afeta cerca de 5 pessoas em 1 milhão a cada ano. Os sintomas incluem dores de cabeça, visão embaçada, desmaios, perda de controle de uma parte do corpo e convulsões.

Nos casos preocupantes, a CVST é combinada com um problema chamado trombocitopenia, em que o paciente também apresenta níveis anormalmente baixos de plaquetas, resultando em hemorragia intensa.

"É claro que existe uma associação com a vacina. O que causa essa reação, porém, ainda não sabemos”, disse o responsável pela estratégia de vacinação da Agência Europeia de Medicamentos, Marco Cavaleri.

A EMA recomenda que a pessoa que receber a vacina da AstraZeneca deve procurar assistência médica imediata se desenvolver uma combinação de coágulos sanguíneos e contagem baixa de plaquetas.

A agência europeia observou que os coágulos ocorrem em veias do cérebro e do abdomem (splanchnic vein thrombosis) e também em artérias.

Atualização 10/04

As negociações entre a Áustria e a Rússia para a compra de 1 milhão de doses da vacina russa Sputnik V foram concluídas, afirmou o Chanceler Sebastian Kurz neste sábado (10).

A Áustria espera a certificação em breve da vacina russa pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), mas pode registrá-la de forma independente.

* Com informações The Local, DPA

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