Macron disse que a revacinação “não será para todos de imediato”, mas irá abranger “os mais velhos e mais frágeis” nesta fase.

Acredita-se que a proteção imunológica das vacinas diminua mais rapidamente em idosos e pessoas com comprometimento imunológico. A revacinação busca recuperar o nível de imunidade contra o coronavírus da covid-19.

Não está claro se a população-alvo receberá a mesma vacina e dosagem anterior e se o imunizante da AstraZeneca será utilizado.

Em janeiro, o presidente francês afirmou que a vacina britânica é praticamente ineficaz em pessoas com mais de 65 anos.

“O verdadeiro problema com a AstraZeneca é que não funciona como esperado", disse Emmanuel Macron. "Hoje, tudo sugere que é quase ineficaz para quem tem mais de 65 anos – e alguns dizem quem tem mais de 60".

Em abril, a publicação New England Journal of Medicine publicou um estudo mostrando que o imunizante da AstraZeneca apresentou efetividade de apenas 10% contra infecções leves a moderadas causadas pela variante sul-africana, potencialmente deixando os vacinados expostos a múltiplas variantes.

A vacina foi relatada como ineficaz também na proteção de idosos e vem sendo questionada quanto à segurança, estando relacionada a ocorrências de tromboses cerebrais e casos de síndrome de Guillain-Barré.

A imprensa alemã disse que o governo tinha dúvidas sobre sua efetividade em maiores de 65 anos – um desafio para os planos de vacinação em muitos países.

"Relatos de que a efetividade da vacina AstraZeneca/Oxford é tão baixa quanto 8% em adultos com mais de 65 anos são completamente incorretos", defendeu-se a empresa.

Estudos iniciais sugerem que combinar um imunizante de vetor viral (como AstraZeneca ou Johnson & Johnson) com um outro de mRNA (como Pfizer ou Moderna) pode produzir uma resposta imune muito mais forte do que uma vacina de vetor viral por si própria.

Alemanha

Na segunda-feira (2), o Ministro da Saúde alemão Jens Spahn, e seus 16 homólogos estaduais, decidiram oferecer a partir de setembro vacinação de reforço a grupos vulneráveis à hospitalização por covid-19, visando aumentar a proteção contra o coronavírus no outono e inverno.

A notícia foi recebida positivamente pelos políticos alemães, muitos dos quais veem a vacinação efetiva e generalizada como um caminho para a reabertura da sociedade.

Os ministros enfatizaram, porém, que a nova imunização é opcional e que deve ser tomada pelo menos seis meses após a última dose da vacina ter sido administrada.

Na campanha serão utilizadas as vacinas de mRNA aprovadas na União Europeia: Moderna e Pfizer/BioNTech.

No momento, a Standing Vaccines Commission (STIKO) ainda não emitiu uma recomendação em favor das doses de reforço, citando evidências insuficientes sobre os benefícios.

Em meados de julho, Soumya Swaminathan, Cientista-Chefe da OMS, alertou aos países para que não se baseiem em declarações de empresas farmacêuticas, que dizem que agora é necessária uma terceira dose de reforço.

Spahn disse que a revacinação é uma “medida de precaução” e que os imunizantes serão administrados por meio de equipes móveis de vacinação em lares de idosos, instalações de vida assistida e outras organizações que cuidam de idosos e vulneráveis. Essas pessoas também poderão agendar a inoculação com um médico.

Outro grupo na fila para uma dose adicional são aqueles que foram imunizados com uma das chamadas vacinas de vetor viral, AstraZeneca ou Janssen / Johnson & Johnson. Este grupo provavelmente deverá receber uma dose complementar em consultório médico a partir de setembro.

OMS

A decisão francesa surge poucas horas depois de novo apelo da Organização Mundial de Saúde (OMS), que procura ampliar a vacinação contra o coronavírus da covid-19 nos países mais pobres.

“Entendemos a preocupação dos governos em proteger as suas populações da variante Delta, mas não podemos aceitar que os países que já utilizaram a maioria dos fornecimentos das vacinas usem ainda mais, enquanto as populações mais vulneráveis do mundo continuam desprotegidas”, declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“Precisamos da cooperação de todos, especialmente de um grupo de países e empresas que controlam a produção global de vacinas", acrescentou Tedros.

Depois das declarações de Tedros Adhanom, os Estados Unidos responderam que não será necessário optar entre administrar vacinas à população americana ou doá-las a países mais pobres.

“É uma falsa alternativa. Achamos que conseguimos fazer as duas coisas”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki. Ela lembrou que os EUA já doaram 100 milhões de doses, mais do que as doações somadas de todos os outros países.

Variante Delta

Embora algumas narrativas indiquem que o enfrentamento à variante indiana (Delta) é a razão para a revacinação das populações, é fato que os níveis de anticorpos dos vacinados estão caindo muito rápido, sugerindo baixa durabilidade da imunidade vacinal – embora a proteção seja função de um conjunto de fatores.

Moderna

A farmacêutica Moderna sugeriu, esta quinta-feira, em apresentação dos seus resultados trimestrais que a variante Delta seria motivo para aplicação de uma nova dose da sua vacina gênica de mRNA antes do fim do ano.

"Cremos que um reforço será provavelmente necessário este outono, particularmente devido à Delta", informou a empresa.

Segundo dados preliminares de um estudo da própria Moderna, a terceira dose aumentou os níveis de anticorpos neutralizadores do vírus, que "tinham diminuído de forma significativa" passados seis meses de receber as duas doses da vacina.

Não há menção sobre mudanças na formulação do imunizante para melhorar a resposta imune à variantes do vírus SARS-CoV-2.  

A empresa disse que sua vacina permaneceu 93% eficaz contra a infecção por coronavírus após seis meses e 98% eficaz contra a hospitalização.

De acordo com o Financial Times, a Moderna teria reajustado o preço da dose de 19,50 para 21,50 euros em seu novo contrato de fornecimento aos países da União Europeia.

A empresa disse que as vendas de sua vacina superaram US$ 4 bilhões no segundo trimestre e que assinou US$ 20 bilhões em contratos de compra antecipada para 2021.

Sputnik

O mesmo rápido declínio de anticorpos foi observado em outra vacina gênica, o imunizante russo de adenovírus recombinante Sputnik V, levando o Ministro da Saúde da Rússia, Mikhail Murashko, a anunciar em junho uma campanha para revacinar parte da população do país que completou há mais de seis meses o regime de duas doses da vacina.

A campanha foi apoiada pelo Kremlin, com o porta-voz Dmitry Peskov chamando-a de "inevitável", e pelo prefeito de Moscou, Sergey Sobyanin, que enfatizou ser agora "vital" começar a administrar uma terceira dose.

A Rússia começou os ensaios da Sputnik V no outono europeu passado e alguns dos primeiros recipientes estão com seus níveis de proteção reduzidos.

Mikhail Degtyarev, governador da região de Khabarovsk, disse que foi revacinado porque o número de anticorpos da primeira vacinação diminuiu muito.

“Hoje é a segunda vez que sou vacinado contra o coronavírus. A primeira vez foi em julho e agosto do ano passado. Após 11 meses, a quantidade de anticorpos no sangue diminuiu significativamente, então decidi não arriscar nem minha saúde nem a saúde das pessoas com quem trabalho e encontro todos os dias", escreveu Degtyarev em rede social.

A proposta da segunda dose da Sputnik, uma dose de reforço, era assegurar proteção de 24 meses aos vacinados.

A revacinação na Rússia está sendo realizada desde 25 de junho com a vacina de dose única Sputnik Light – o imunizante será administrado a cada 6 meses.

"Assim que o atual surto de infecções diminuir, as pessoas só precisarão se revacinar contra o coronavírus da covid-19 uma vez por ano", disse Murashko.

O imunizante de dose única, promessa inicial da vacina da AstraZeneca, está sendo comercializado também pela Janssen / Johnson & Johnson, que estudou a administração de duas doses e se prepara para oferecer uma dose de reforço.

CoronaVac

O Presidente do Chile, Sebastián Piñera, admitiu nesta quinta-feira (5) que a proteção contra covid-19 dos vacinados com a CoronaVac dura poucos meses.

Cerca de 80% das doses aplicadas no Chile foram fornecidas pela chinesa Sinovac, fabricante da CoronaVac, um imunizante de vírus inativado de baixa efetividade.

O país já vacinou totalmente mais de 60% da população. É o segundo país com a maior taxa de vacinação do mundo, após Israel.

"Decidimos iniciar um reforço da vacinação daqueles que já receberam as duas doses da vacina da Sinovac", disse Piñera em pronunciamento pela televisão. Mesmo vacinados recentes, como há 4 meses, serão elegíveis.

O Chile utilizará a vacina da Astrazeneca como reforço.

A revacinação começará no dia 11 de agosto, iniciando com pessoas maiores de 55 anos vacinadas com a CoronaVac antes de 31 de março.

No Brasil, o Ministério da Saúde contratou a Universidade de Oxford para fazer um ensaio clínico com 1.200 brasileiros vacinados com a CoronaVac, visando determinar quais vacinas do PNI serão usadas na revacinação, caso necessário.

Conclusões precipitadas

Na sexta-feira (30), Anders Tegnell, epidemiologista-chefe da Agência de Saúde Pública da Suécia, advertiu contra conclusões precipitadas sobre a variante Delta, argumentando que são necessários mais dados sobre a infecciosidade da cepa.

A variante Delta, que foi detectada pela primeira vez na Índia, se espalhou para vários países em um curto espaço de tempo. No início de julho, era responsável por 90% dos novos casos no Reino Unido e nos EUA por cerca de 80%.

A experiência da Suécia, que conteve o vírus sem lockdowns e onde a variante Delta é dominante, soma conhecimentos que desafiam alguns entendimentos.

Por exemplo, as quedas de infecções tem sido atribuídas à medidas de lockdowns em países que adotam a estratégia, mas os surtos na Suécia exibem o mesmo padrão de crescimento e queda de positivos para o vírus sem impor lockdowns.

Tegnell observou que a variante Delta está circulando na Suécia “há muito tempo” com pouco efeito, especialmente em ambientes de alto risco, como lares de idosos.

“Na Suécia, ela domina completamente agora. Temos um certo aumento na disseminação da infecção, principalmente nas grandes cidades. Mas é quase que exclusivamente entre os grupos não vacinados”, disse Tegnell ao diário Aftonbladet, de Amsterdam.

"O aumento se deve ao fato de que nas faixas etárias mais jovens as pessoas não mantêm distância e temos um aumento entre os viajantes suecos estrangeiros que levam a infecção para casa”, explicou Tegnell.

Dados divulgados pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA sugerem que a variante Delta é mais transmissível. O New York Times e outros veículos de comunicação publicaram matérias relatando que o CDC agora acredita que a variante é tão contagiosa quanto a catapora – mas a comparação não pareceu impressionar o epidemiologista sueco.

“É difícil dizer o quão contagioso é a Delta. No caso da catapora, já conseguimos acompanhar a doença há vários anos. A infecciosidade parece ser muito desigual, as vezes uma pessoa infecta cem pessoas, e temos outros momentos em que uma pessoa infectada não infecta ninguém", disse Tegnell.

Contudo, Tegnell advertiu contra ficar confortável demais. Ele enfatizou que a Suécia ainda está em uma pandemia e exortou a população, especialmente aqueles em grupos de idades mais jovens, a se vacinarem.

Atualização 08/08/2021

De acordo com dados do Ministério da Saúde de Israel, reportados pela TV israelense neste domingo (8), quatorze pessoas foram diagnosticadas com covid-19 apesar de terem sido inoculadas com uma terceira dose da vacina Pfizer.

Onze dos 14 casos detectados tem mais de 60 anos e os demais são de pessoas imunocomprometidas, informou o Channel 12. Dois pacientes estão hospitalizados.

O número limitado de casos não é suficiente para os médicos tirarem conclusões quanto à efetividade da terceira dose no combate à variante Delta.

* Com informações Folkhälsomyndigheten, The Local, The Times of Israel

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