Com a Ômicron prestes a ultrapassar a Delta como a cepa dominante do SARS-CoV-2 na Alemanha, a taxa de infecção está subindo a novos patamares. A taxa de incidência de sete dias aumentou drasticamente nos últimos dias, atingindo 303 na manhã desta (7) sexta-feira – a maior taxa desde o feriado de Natal de 2020.

Na tentativa de evitar que o sistema de saúde e os serviços de emergência fiquem sobrecarregados com a falta de pessoal, o governo federal está buscando adotar regras mais rígidas. De acordo com os relatórios mais recentes, o Ministro Federal da Saúde, Karl Lauterbach, tem como objetivo a indústria da hospitalidade.

“A gastronomia é uma área problemática porque muitas vezes você fica sentado por horas sem máscara”, disse Lauterbach à RTL ontem (6).

Na noite desta sexta-feira, após várias horas de discussão, o Chanceler da Alemanha Olaf Scholz, o primeiro-ministro estadual da Renânia do Norte-Vestfália, Hendrik Wüst, e a prefeita de Berlim, Franziska Giffey, anunciaram que requisitos de entrada mais rígidos serão aplicados aos restaurantes, cafés e bares em todo o país.

Há algum tempo, a população alemã já é obrigada a apresentar comprovante de vacinação completa ou de recuperação para entrar em restaurantes e bares — bem como em muitas lojas, teatros e cinemas. Agora, os clientes terão de mostrar que receberam a dose de reforço. Caso tenham apenas as duas doses, será necessário apresentar um teste negativo para infecção por SARS-CoV-2, o vírus da covid-19.

Isso já acontece nos Estados de Baden-Württemberg, Berlim, Hamburgo, Baixa Saxônia, Mecklenburg-Vorpommern, Renânia-Palatinado e Sarre.

Até o momento, cerca de 70% da população alemã está totalmente vacinada (2G) e 40% recebeu dose de reforço (3G).

"Metade da população receberá o reforço em alguns dias e poderá ir a restaurantes sem fazer o teste", disse a prefeita de Berlim. "Este é um incentivo extra para que as pessoas recebam o reforço".

Ainda assim, o Estado de Saxônia-Anhalt disse que não irá introduzir a nova regra por enquanto. A Baviera disse que está cética.

A Associação de Hotéis e Restaurantes da Bavária é contra introduzir regras 2G+ nos restaurantes.

“Eu advirto contra o acionismo de pânico”, disse a presidente Angela Inselkammer. “A decisão é quase um lockdown e, para muitas empresas, não valeria mais a pena permanecer abertas”.

De acordo com a Associação Alemã de Hotéis e Restaurantes (Dehoga), as empresas em todo o país experimentaram um declínio de 40% nas vendas em 2021, e para 60% dos empresários a existência de seus negócios está ameaçada.

Vacinação obrigatória

Em um revés para o novo chanceler alemão, a discussão sobre tornar a vacinação obrigatória perde força na Alemanha. O primeiro debate parlamentar agendado para a próxima semana foi adiado para o final de janeiro. Há poucas propostas concretas e nenhum texto foi formulado.

A vacinação obrigatória sequer foi mencionada no anteprojeto que serviu de base para o encontro de cúpula desta sexta-feira entre o governo federal e os Estados.

Um obstáculo é a criação de um cadastro de vacinação centralizado pelo governo, uma questão delicada em um país que continua traumatizado pela vigilância em massa implementada pela Gestapo, durante o regime nazista, e depois, pela Stasi, no governo comunista da antiga Alemanha Oriental.

Esta questão é tema de divisão na nova coalizão de governo, formada pelo SPD, Partido Verde e o liberal FDP, uma vez que este último tem reservas quanto à vacinação obrigatória, defendendo a "liberdade de consciência individual".

"A proteção da saúde é um bem precioso, mas o bem mais precioso de nossa Constituição é, e continuará a ser, a liberdade", disse Christian Lindner, líder da formação e atual Ministro das Finanças, na quinta-feira.

O FDP prefere esperar para ver como a epidemia evolui.

"Se entre fevereiro e março os índices mostrarem que a vacinação obrigatória implica um claro aumento da liberdade de circulação para todos nós, então vamos defender essa solução", avaliou o Ministro da Justiça, o político liberal Marco Buschmann. "Se, em vez disso, a vacinação ajudar por dois ou três meses, mas tudo continuar como antes, seria um argumento contra a vacinação obrigatória".

A partir de março, a vacina será obrigatória para profissionais da área de saúde.

De acordo com Scholz, o assunto foi debatido na reunião desta sexta-feira e houve concordância entre os líderes estaduais sobre a vacinação obrigatória.

"Todos os 16 chefes de governo se comprometeram com o fato de que são a favor de uma obrigação geral de vacinação", disse Scholz após as consultas do governo federal sobre a situação na sexta-feira. "Sinto-me apoiado ao máximo aqui".

Scholz também disse que o uso mandatório de máscaras faciais do tipo PFF2 em lojas e no transporte público foi "recomendado com urgência".

Já as medidas restritivas que foram decididas em cúpulas anteriores permanecerão em vigor, incluindo:

  • Regras 2G nos setores de lazer e varejo
  • Máscaras FFP2 recomendadas em lojas e transportes públicos
  • Reuniões limitadas a 10 pessoas (para pessoas vacinadas e recuperadas) ou própria família mais dois convidados (se houver pessoas não vacinadas presentes)
  • Obrigação de trabalhar em casa, sempre que possível
  • As casas noturnas permanecerão fechadas “até novo aviso”

Veja também: