O Chanceler Olaf Scholz e os 16 governadores dos estados federados da Alemanha aprovaram nesta quarta-feira (16) um plano de três etapas para acabar com a maioria das restrições impostas à população, seguindo decisões da Áustria e da Suíça.

A reunião ocorreu depois que o Ministro da Saúde, Karl Lauterbach, anunciou que a onda de infecções já atingiu o pico e os casos diários estão começando a cair.

Média móvel de 7 dias do número de novas infecções diárias por SARS-CoV-2 na Alemanha
Média móvel de 7 dias do número de novas infecções diárias por SARS-CoV-2 na Alemanha

A primeira etapa do plano inclui a remoção da imposição de lojas não essenciais exigirem que os clientes apresentem comprovante de vacinação ou recuperação.

A partir de 4 de março, os requisitos para entrar em restaurantes, bares e hotéis vão ser relaxados, sendo apenas necessário um teste negativo. Antes, era exigido o chamado 2G+ (prova de vacinação completa, ou de recuperação, mais um teste para infecção por SARS-CoV-2) ou 3G (comprovação de dose de reforço).

As casas noturnas também poderão abrir a partir de 4 de março, porém com exigência de teste negativo, inclusive para os totalmente vacinados.

Finalmente, em 20 de março, a maioria das imposições remanescentes, incluindo aquelas que visam apenas pessoas não vacinadas, deixarão de existir devido à expiração da lei.

O uso obrigatorio de máscaras no transporte público poderá permanecer, assim como testes em determinadas áreas, mas exigirá a aprovação de uma nova lei.

Questionado sobre o termo "Dia da Liberdade", que alguns políticos querem usar para marcar o fim das imposições do governo, Scholz disse que não é fã da frase porque não transmite a gravidade da situação.

As perspectivas de vacinação obrigatória não parecem ter sido abandonadas.

Scholz defendeu a obrigatoriedade pouco antes de se tornar chanceler, em dezembro, mas a sua coligação está dividida sobre o assunto.

O Chanceler não deixou margem para dúvidas de que continua apoiando um mandato geral de vacinação. Ele também disse estar confiante de que os políticos alemães aprovarão até outubro legislação que permite um mandato de vacina.

Atualização 07/04/2022

O chanceler alemão Olaf Scholz sofreu uma primeira grande derrota no Bundestag nesta quinta-feira (7) depois que os deputados rejeitaram uma proposta para tornar obrigatórias as vacinas Covid-19 para todos com mais de 60 anos.

O projeto de lei apoiado pelos três partidos na coalizão governista de Scholz foi rejeitado por 378 deputados, com apenas 296 apoiando-o e nove abstendo-se.

O resultado foi um embaraçoso revés para Scholz. Ele até ordenou que a Ministra das Relações Exteriores Annalena Baerbock deixasse uma reunião da OTAN em Bruxelas para que ela pudesse participar da votação.

Scholz disse pouco depois de ter sucedido Angela Merkel como chanceler em dezembro que ele era favorável a tornar as vacinas obrigatórias para todos os adultos.

Mas ficou claro desde o início que Scholz enfrentou forte oposição de dentro de seu governo. Os liberais do Partido Democrático Livre (FDP) consideraram a ideia uma violação dos direitos civis.

No final, o governo de Scholz – que inclui social-democratas de centro-esquerda e os Verdes –  não apresentou seu próprio projeto de lei, deixando-o aos deputados para apresentar uma proposta no Bundestag.

Os legisladores não foram obrigados a votar seguindo o partido e um grande número de deputados, mesmo governistas, mostrou que se opunham à proposta. O vice-líder do FDP, Wolfgang Kubicki, disse que não era papel do Estado forçar os adultos a se protegerem contra sua vontade.

Janosch Dahmen, porta-voz dos Verdes, disse que o fracasso "me dói especialmente como médico, porque significa que o risco à saúde dos idosos permanecerá alto e a carga sobre os trabalhadores da saúde permanecerá muito grande".

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