A Alemanha pretende enfrentar a possível escassez de gás nos meses de inverno reduzindo o consumo normal em cerca de 20% sem recorrer ao racionamento.

"Reduziremos o consumo de gás no setor elétrico e na indústria e forçaremos os tanques de armazenamento serem preenchidos", disse em comunicado o Ministro da Economia alemão Robert Habeck.

Além da queima de lignite, um tipo de carvão de baixo poder calorífico e mais poluente, o país introduzirá um mecanismo de leilão de gás para consumidores industriais, medida que espera-se exercer pressão para as empresas reduzirem o uso do gás natural ou substituí-lo por carvão, especialmente as geradoras de eletricidade.

Na quarta-feira (15), Berlim reagiu à queda de fornecimento do gás russo afirmando que as ações da Rússia eram um movimento político e não técnico.

O principal gasoduto de exportação de gás russo para a Alemanha, o Nord Stream, está operando com apenas 3 de suas 8 unidades de compressão e sem previsão de restabelecimento da capacidade plena, enviando ondulações por todo o continente.

O problema envolve componentes de unidades compressoras produzidas pela Siemens Energy, enviados pela fabricante alemã para reparos na sua fábrica no Canadá, o único país do mundo que impôs sanções contra a Gazprom (que não tem negócios lá), estarem retidos naquele país por imposição desses embargos.

Neste domingo, Habeck disse que Berlim está trabalhando em uma lei para trazer de volta até 10 gigawatts de usinas a carvão, o que aumentaria a dependência da Alemanha do carvão marrom para a geração de eletricidade em até um terço.

A fim de reduzir o consumo de gás, menos gás deve ser usado para produzir eletricidade. Para isso, terão que ser usadas mais usinas de energia a carvão, disse Habeck.

A lei sobre a disponibilidade de usinas de substituição, que torna isso possível, deve ser tratada no Bundesrat em 8 de julho.

“Cancelaremos a reserva de reposição de gás assim que a lei entrar em vigor. Isso significa, para ser honesto, mais usinas a carvão por um período de transição. Isso é amargo, mas é quase necessário nesta situação reduzir o consumo de gás. Devemos e faremos tudo o que pudermos para armazenar o máximo de gás possível no verão e no outono. Os tanques de armazenamento de gás devem estar cheios no inverno. Isso tem prioridade”, disse Habeck.

A decisão do ministro do Partido Verde, tomada em desacordo com a política climática do país – o maior consumidor de carvão da Europa, contrasta fortemente com a reputação que a Alemanha tentou construir como líder de energia limpa.

A queima de lignite produz cerca de duas vezes mais dióxido de carbono (CO2) em relação ao seu teor energético do que a queima de gás natural.

Se os combustíveis forem usados para gerar eletricidade, as emissões de dióxido de carbono aumentam em sentido contrário à eficiência da usina. A substituição de geração de eletricidade a partir de lignite por gás natural pode reduzir em mais de 70% as emissões diretas de dióxido de carbono.

O Partido Verde alemão tomou a via oposta.

"Usinas [a carvão] que já estão disponíveis para o sistema elétrico como reserva estão sendo atualizadas para poder retornar ao mercado no curto prazo. Em vista da estrutura de preços, isso significa que as usinas a gás estão sendo empurradas para fora do mercado", diz a nota do ministro.

O gás contribuiu com cerca de 15% para a geração pública de energia elétrica em 2021, mas o comunicado sugere que a participação será menor em 2022.

A reativação de usinas a carvão "pode aumentar a capacidade de geração de energia em até 10 GW [...] o que reduz substancialmente o consumo de gás para geração de energia", diz a nota.

No final de maio, a oferta de eletricidade na Alemanha somava 32 gigawatts de usinas a carvão e 28 gigawatts de usinas a gás, segundo dados regulatórios.

Para o grupo anti-carvão Ende Gelände, empresas de energia e líderes políticos alemães estão instrumentalizando o conflito Rússia-Ucrânia como desculpa para continuar a minerar e queimar lignite.

A Alemanha já destruiu uma floresta de 12 mil anos, e estimadas 300 vilas, para dar lugar à extração de carvão. Na lei alemã, para que uma mineradora tome posse de terras basta que o fornecimento de lignite ao mercado de energia esteja em risco.

A Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso do país, tem 52 usinas e o maior número de usinas a carvão em toda a Alemanha. Também é um dos quatro estados alemães com grandes áreas de mineração de lignite.

Os primeiros-ministros desses estados questionam a eliminação acelerada do carvão da matriz energética alemã, como proposto pelo novo governo federal.

Pode-se esperar que um país que está sofrendo uma grave crise energética esteja tentando de tudo para expandir a oferta, mas dos dezessete reatores nucleares em operação há 10 anos, fornecendo 25% da energia elétrica da Alemanha, restaram apenas três, todos programados para serem desativados ainda em 2022, após terem sido fechadas três usinas nucleares em dezembro. As instalações operavam de forma impecável.

O carvão foi a principal fonte de energia do país no primeiro semestre de 2021, gerando mais de um quarto da eletricidade da Alemanha. A energia eólica e a solar produziram 22% e 9%, respectivamente, enquanto a energia nuclear caiu para cerca de 12%", informou o Wall Street Journal (WSJ) em dezembro passado.

Más escolhas políticas levaram à escassez de fornecimento de energia na Alemanha, avaliou o jornal. "É difícil pensar em uma política mais autodestrutiva em termos econômicos, climáticos e geopolíticos".

De acordo com o WSJ, em um ano os preços da eletricidade na Alemanha tinham alcançado em dezembro passado € 300 por megawatt-hora – para efeito de comparação, a média de 2010 a 2020 foi de menos de € 50 por megawatt-hora.

"As desativações eram esperadas há anos, mas manter os reatores operando durante o tempo de vida anteriormente planejado poderia ter ajudado a aliviar parte da dor que os alemães estão sentindo agora, à medida que a crescente demanda global aumenta o custo da energia", opinou o WSJ em dezembro.

O periódico lembrou que a França, que depende fortemente da energia nuclear, produz cerca de metade do dióxido de carbono per capita que a Alemanha e estava respondendo à crise energética com a construção de mais reatores nucleares.

No entanto, o governo alemão continuava pressionando em dezembro para manter a energia nuclear fora da lista da União Europeia de "atividades econômicas ambientalmente sustentáveis", o que prejudicaria a França, e outros países do bloco, no equacionamento de financiamentos de projetos nucleares.

"Já é ruim o suficiente que os alemães tenham minado sua própria segurança energética, mas eles não deveriam impor sua política autodestrutiva ao resto do continente", protestou o WSJ três meses antes da intervenção russa na Ucrânia.

Transição desastrosa

A União Europeia enfrenta, desde meados do ano passado, uma crise energética decorrente de planejamento falho da transição de países membros para a energia "verde" e da atitude negligente em relação à energia tradicional, agravada pela decisão impulsiva de abandonar o sistema de contratos de gás de longo prazo em favor de compras no mercado spot – 90% do gás russo era importado por meio de contratos de longo prazo, o que garantia a estabilidade de todas as condições.

O aumento da competição global pós-pandemia por energia, o declínio na produção de energia renovável e a não renovação de contratos de longo prazo resultaram em um nível baixo recorde de gás em instalações de armazenamento do bloco econômico.

“Diante da crescente demanda, as capacidades limitadas de geração alternativa não são capazes de garantir o fornecimento de eletricidade estável não apenas no inverno, mas também durante os períodos mais confortáveis de verão e outono, levando a preços recordes do gás”, avaliou Igor Sechin, chefe da gigante estatal russa do petróleo Rosneft, falando no 14th Eurasian Economic Forum, em Verona, Itália, em novembro do ano passado.

Agenda cáqui

Na sexta-feira (17), na sessão Global Challenges of the Energy Mix in 2022, o Vice-Primeiro-Ministro da Rússia, Alexander Novak, disse que o país pode manter e até aumentar significativamente seus fornecimentos para os mercados globais de gás.

"Essa área estará em demanda. Enquanto a Rússia produz apenas 30 milhões de toneladas de LNG hoje, poderemos alcançar 100 milhões de toneladas por ano no futuro", observou o Vice-Primeiro-Ministro.

No futuro, petróleo e gás nos mercados globais continuarão em alta demanda, acrescentou. Nesta situação, o mundo não poderá prescindir dos recursos energéticos russos, acredita Alexander Novak.

“Não há excedente de petróleo e gás no mercado. Podemos ver que há muitas incertezas em termos de abastecimento, e há escassez local de recursos energéticos. Ao mesmo tempo, é óbvio que a demanda por recursos energéticos se recuperará já este ano devido ao fim dos lockdowns e restrições e ao aumento do consumo de energia. Além disso, a tendência de menores volumes de investimento na produção continua. Portanto, a escassez local de petróleo é possível no futuro”, ponderou.

No final, o consumidor é quem mais sofre, ressaltou Alexander Novak.

“Hoje estamos em uma situação volátil. Ao longo do ano, os preços de todos os recursos energéticos subiram: o gás custa em média quatro vezes mais, os preços do petróleo subiram 80% e o preço do carvão mais que dobrou. Os consumidores arcam com custos significativos. Nesta situação, a agenda verde desvaneceu-se visivelmente; é mais como cáqui agora”.

Atualização 20/06/2022

O Ministro de Clima e Energia da Holanda, Rob Jetten, afirmou nesta segunda-feira (20) que o país ativou a primeira fase de seu plano de crise de gás.

"O gabinete decidiu retirar imediatamente a restrição à produção de usinas a carvão de 2002 a 2024. Isso significa que as usinas a carvão podem funcionar em plena capacidade novamente, em vez do máximo de 35%", disse Jetten a jornalistas em Haia.

O ministro holandês disse que seu país "preparou esta decisão com nossos colegas europeus nos últimos dias".

"Sem medidas adicionais, não é mais garantido que nós, na Europa e na Holanda, possamos abastecer as instalações de armazenamento de gás o suficiente em preparação para o inverno", disse o ministro do Clima. “Tivemos que fazer escolhas difíceis”.

A Holanda possui somente quatro usinas a carvão.

Em novembro do ano passado, a empresa de energia Onyx Power tinha acordado em fechar sua usina a carvão em Roterdam dentro de alguns meses em troca de um subsídio de 212 milhões de euros. Com as sanções à Rússia, a Onyx comunicou ao governo holandês no final de março que tinha decidido manter a usina operando.

"Estou muito decepcionado com esta decisão, é ruim para o clima", disse Jetten em uma carta ao parlamento enviada há menos de três meses.

Agora o governo holandês está fazendo um "apelo urgente" às empresas para economizar o máximo de energia possível antes do inverno.

No entanto, os holandeses importam da Rússia apenas de 15% de seus suprimentos de gás, em comparação com a média da UE de 40%.

"Quero enfatizar que, no momento, não há escassez aguda de gás", disse Jetten. "No entanto, mais países estão sendo espremidos. Isso nos preocupa".

O governo austríaco anunciou no domingo (19) que as autoridades trabalharão com o grupo Verbund, o principal fornecedor de eletricidade do país, para a usina a carvão na cidade de Mellach voltar a operar.

Espera-se que outros países da União Europeia, incluindo a Itália, sigam a Alemanha na retomada das usinas a carvão.

Os Estados-Membros enfrentam pressões econômicas crescentes devido à escassez de energia, com os preços do gás europeu de referência subindo mais de 50% na última semana. O gás é pelo menos seis vezes mais caro na zona euro do que era antes da pandemia.

'Situação inesperada'

A Comissão Europeia observou segunda-feira que "algumas das capacidades de carvão existentes podem ser usadas por mais tempo do que o esperado inicialmente" devido ao novo cenário energético na Europa.

"Sabemos que o mix de energia e os planos dos Estados-membros se ajustarão ligeiramente porque estamos em uma situação inesperada", disse o porta-voz da Comissão, Tim McPhie, em coletiva de imprensa.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que os governos precisam manter o foco em “grandes investimentos em energias renováveis”.

O aumento do uso de carvão aumentou a preocupação de que os países do bloco possam usar a crise para adiar a transição para fontes alternativas de energia.

A Comissão quer acelerar os planos de aumentar a geração a partir de fontes renováveis, ao mesmo tempo em que busca alternativas ao gás russo, como importar cargas marítimas de gás natural liquefeito (LNG) de outros países produtores.

Von der Leyen disse que a Comissão está fazendo todo o possível para que a UE pudesse, no futuro, dizer que "fizemos as escolhas certas".

Atualização 19/06/2022

Íntegra do comunicado à imprensa do Ministro da Economia da Alemanha, Robert Habeck, sobre a crise do gás no país (original).

06/19/2022 - press release - energy

Habeck: "We are further strengthening precautions and taking additional measures to reduce gas consumption"

In view of the throttling of gas supplies from Russia, the federal government is taking additional measures to save gas. In this way, the use of gas for power generation and industry will be reduced and storage tanks will be filled.

Federal Economics and Climate Protection Minister Robert Habeck:

“The situation on the gas market has deteriorated in recent days. The missing quantities can still be replaced, and the gas storage tanks are still being filled, albeit at high prices. Security of supply is currently guaranteed. But the situation is serious. We are therefore further strengthening precautions and taking additional measures to reduce gas consumption. This means that gas consumption must continue to fall, so more gas must be stored in storage, otherwise things will get really tight in winter. We will now take the next steps. For months we have been in the process of sharpening tools, creating new ones and removing existing obstacles. We are accelerating the expansion of renewable energies in an unprecedented way, we are pushing through the storage of gas and driving the expansion of LNG terminals and energy efficiency measures. The urgency of these tasks determines our ongoing work. Now we're going to pull out and use another set of tools. We will reduce gas consumption in the electricity sector and in industry and force storage tanks to be filled. Depending on the situation, we will take further measures”.

The minister made it clear:

“The tense situation and high prices are a direct consequence of Putin's war of aggression against Ukraine. There is no mistake. What's more, it's obviously Putin's strategy to unsettle us, drive up prices and divide us. We won't allow that. We defend ourselves resolutely, precisely and thoughtfully”.

Overview of additional measures for less gas consumption:

  1. Gas reduction in the electricity sector

In order to reduce gas consumption, less gas is to be used to produce electricity. Instead, coal-fired power plants will have to be used more. The corresponding law on the availability of replacement power plants, which makes this possible, is currently in the parliamentary process and is to be dealt with in the Bundesrat on July 8th and then come into force quickly. At the same time, the Federal Ministry of Economics and Climate Protection (BMWK) is now preparing the necessary ministerial regulation that will activate the gas replacement reserve.

“With the law, we are setting up a gas replacement reserve on demand. And I can already say that we will call off the gas replacement reserve as soon as the law comes into force. That means, to be honest, more coal-fired power plants for a transitional period. That's bitter, but it's almost necessary in this situation to reduce gas consumption. We must and we will do everything we can to store as much gas as possible in summer and autumn. The gas storage tanks must be full in winter. That has top priority”, said Habeck.

With the Replacement Power Plant Availability Act, the gas replacement reserve will be set up for a limited period until March 31, 2024. To this end, power plants that are already available to the electricity system as a reserve are being upgraded in order to be able to return to the market in the short term. In view of the price structure, this means that gas-fired power plants are being squeezed out of the market. Gas contributed around 15 percent to public electricity generation in 2021, but the share is likely to be lower in the first few months of 2022. Measures to reduce gas consumption can increase the power generation capacity by up to 10 GW in a critical gas supply situation, which substantially reduces gas consumption for power generation.

In order to get the replacement power plants up and running, the operators need technical advance notice. Minister Habeck made it clear that the power plant operators should prepare themselves now so that everything is ready for use as soon as possible.

2. Gas auction model to reduce industrial gas

A gas auction model is to be launched in the summer, which will encourage industrial gas consumers to save gas. To this end, the market area manager Trading Hub Europe ( THE ), the Federal Network Agency ( BNetzA ) and the BMWK are developing a gas balancing energy product that industrial customers can use together with their suppliers to reduce their consumption in bottleneck situations and make gas available to the market in return for remuneration based purely on the energy price ( Demand side management). This creates a mechanism - similar to an auction - that gives industrial gas consumers an incentive to save gas, which in turn can be used for storage. The model is intended to ensure that as many gas quantities as possible are available for any bottleneck situations in the coming winter.

“This creates an incentive to reduce consumption in industry so that more is available for storage. This is urgently needed. Everything that we consume less helps. Industry is a key factor here,” said Habeck.

3. Strengthening of storage

In order to secure the storage of gas, the federal government will soon make additional KfW credit lines available. This will initially give the market area manager Trading Hub Europe THE the necessary liquidity to buy gas and fill the storage facilities. The loan is secured by a federal guarantee.

About THE : Trading Hub Europe GmbH ( THE ) is a subsidiary of eleven long-distance gas network operators and operates the German market area as the market area manager. The main tasks of THE are balancing energy management, balancing group management and operation of the virtual trading point. In this way, THE exercises a statutory and legitimized monopoly task and, since the amendment of the Energy Industry Act ( EnWG ) , has carried out measures to fill gas storage facilities as required.

The core of the revised EnWG , which came into force on April 30, 2022 , is that users of gas storage facilities in Germany must fill the capacities they have booked in order to avoid vacancies. If there is no filling, the capacities will be withdrawn from the users and made available to THE as the market area manager. This has already been done for the Rehden gas storage facility (see below). THE is thus obliged to gradually fill the gas storage facilities up to 90 percent by December 1, 2022. The filling level should reach at least 65 percent by August 1st and at least 80 percent by October 1st. The THEthen either has the storage tanks filled by other market players by way of a special tender or buys in gas itself in order to store it.

Overview of measures already taken to strengthen precautionary measures in the gas sector:

The Federal Government and the Federal Ministry for Economic Affairs and Climate Protection have been taking a wide range of measures for months to strengthen precautions and ensure security of supply in Germany. This includes the following measures in particular:

  1. Purchase of gas

In March 2022, the Federal Ministry of Economics had the market area manager THE Gas procured. This purchase program has now been completed. A total of around 950 million m³ of natural gas was acquired, which was brought into storage by the end of May. Since March 18, 2022, the gas storage facilities have mostly been refilled. After low storage levels in winter, the levels are currently around 56% and thus above the storage levels of the previous year in the same period.

2. Ensuring the liquidity of players in the gas purchase market

In order to ensure the functioning of the energy market - and thus the energy supply - and to secure the necessary liquidity for companies that are particularly affected in view of the sharp rise in gas prices, the Federal Government has provided support with KfW loans.

In addition, the federal government has created a new security instrument as part of the protective shield for companies affected by the Ukraine war. This involves companies that trade in electricity, natural gas and emission certificates on the futures exchanges. They have to finance security deposits ( so -called margins ), which are higher the higher the prices rise. So that the energy traders have enough liquidity, the federal government provides financial resources in the form of credit lines from KfW and secures them with a federal guarantee. Consultations on the program have been possible since June 17, 2022. The application can probably start at the end of June 2022. More information can be found here.

3. Gas Storage Act

The "Gas Storage Act" passed by the German Bundestag on March 25 came into effect on April 30. came into effect. For the first time, it regulates that gas storage tanks must be almost completely full at the beginning of the heating period in order to get through the winter safely. Concrete filling levels are specified for this: the storage tanks must be 80 percent full by October 1st, 90 percent by November 1st and still 40 percent by February 1st.

As a result, the gas storage facilities are already much better filled than in previous years - and this after the storage levels were at a historic low at the beginning of the year.

4. Filling of the largest gas storage facility in Rehden and other gas storage facilities

On June 1, 2022, Federal Minister Robert Habeck issued a ministerial regulation to ensure sufficient levels of gas storage in Germany, which came into force on June 2, 2022. This ordinance makes it possible to fill up storage facilities with particularly low levels in good time. This means that Germany's largest gas storage facility in Rehden, which previously had historically low levels, can now also be filled. The storage is carried out by the Trading Hub Europe market area manager , who should now receive credit lines for the storage ( see above). The gas storage facility in Rehden is owned by the Gazprom Germania Group (in future SEFE , seehere ). Unlike tanks from other owners, it was only filled to a small extent over months; for months the fill level was only 2 percent. Only through the activities of THE in the last few weeks have the filling levels increased again.

5. Rapid expansion of the LNG infrastructure

Germany has not yet had a port where liquid gas can be landed. However, this is necessary in order to strengthen the gas supply from non-Russian sources and thus become independent of Russian imports. The federal government is therefore pushing ahead with the construction of so-called floating LNG terminals. First, it has secured four special ships, so-called FSRU , on which liquid gas is converted back into gas. Secondly, with an LNG Acceleration Act, it has created the legal prerequisites to accelerate the construction of the necessary connections on land so that two of the four FSRU ships can go into operation in winter and thus LNG can be fed into the German gas supply network. Everyone involved is working hard on this.

6. Securing the GPG trust administration (now Securing Energy for Europe GmbH, SEFE)

In order to ensure security of supply in Germany, the federal government has secured the trusteeship of Gazprom Germania in the longer term by transferring the previous trustee under foreign trade law into a trustee under the Energy Security Act. At the same time, the German government saved the company, which had faltered due to Russian sanctions, from insolvency with a loan of EUR 9-10 billion . With this approach, the Federal Government retains its influence on this part of the critical energy infrastructure and prevents energy security from being endangered. You can find the government press release on thishere . You can find more information and an FAQ list here.

7. Protection of energy and trade intensive companies

In order to support energy- and trade-intensive companies that are particularly affected by increases in natural gas and electricity prices, a fourth program is on target as part of the protective shield for companies affected by the Ukraine war. It supplements the three support measures that have already started, consisting of KfW loans, the special guarantee program and the margining hedging instrument . This fourth program for temporary cost containment allows for a time-limited and narrowly defined cost subsidy with no repayment obligation. The necessary approval under state aid law is expected shortly, so the application can be expected to start in the coming weeks.

© 2022 BUNDESMINISTERIUM FÜR WIRTSCHAFT UND KLIMASCHUTZ

* Com informações do Financial Times

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