Airbus A320 da AirAsia taxiando no Singapore Changi Airport (09/2017). Foto: Alec Wilson 

O jornal britânico The Telegraph informou hoje (1) que dois "principais tomadores de decisão" na AirAsia e AirAsia X foram citados em documentos legais que listam casos de suborno da fabricante de aeronaves europeia EADS/Airbus.

"As companhias aéreas encomendaram 180 aeronaves à Airbus, com os executivos descritos como sendo 'recompensados em relação a pedidos de aeronaves', os quais, segundo o documento, foram 'garantidos por meio de pagamentos indevidos'", relatou o jornal.

A acusação apresentada pelo Serious Fraud Office do Reino Unido alega que a EADS pagou US$ 50 milhões em patrocínio para a equipe Caterham de Fórmula 1, apesar de não haver relação legal entre a equipe e a AirAsia, e se ofereceu para pagar outros US$ 55 milhões – uma transferência que nunca foi feita, porque uma mudança na governança corporativa da EADS levou a um congelamento dos pagamentos.

"Sonhar o impossível"

Tony Fernandes, controlador e CEO da AirAsia, comprou a Lotus F1 Team em 2011 em sociedade com Kamarudin Meranun, presidente do conselho da aérea, e mudou o nome para Caterham quando a Lotus começou a dar maus resultados.

Em 2001, Anthony Francis Fernandes fez o negócio da sua vida, quando comprou a AirAsia, uma aérea falida vinculada ao governo da Malásia, pelo preço simbólico de 25 pence, de acordo com o The Telegraph. Nunca tinha trabalhado na aviação e optou por transformar a transportadora aérea numa low cost. Em 2002, a AirAsia tinha dois aviões

"Sonhar o impossível" é o seu lema de vida.

A AirAsia "rejeita vigorosamente" qualquer sugestão de irregularidade.

A aérea de baixo custo afirma que cada compra de aeronave emergiu de um processo de "avaliação cuidadosa, deliberação e decisão coletiva dos conselheiros” levando em consideração aspectos técnicos, econômicos e de desempenho.

“A superioridade e a confiabilidade das aeronaves e os preços cada vez mais atraentes oferecidos para manter nossa vantagem competitiva nos negócios das companhias aéreas foram considerações importantes”, acrescenta.

"A AirAsia nunca tomou decisões de compra baseadas em um patrocínio da Airbus".

A aérea  enfatizou que tem sido uma forte cliente da Airbus desde 2005.

A AirAsia opera uma frota all-Airbus de 274 aviões.

MACC

A comissária-chefe da Comissão Anticorrupção da Malásia (MACC), Latheefa Beebi Koya (Kak Lat), confirmou que a comissão entrou em contato com as autoridades do Reino Unido e já está investigando as acusações de corrupção.

"De acordo com a Lei MACC, temos poderes e temos jurisdição para investigar qualquer ato de corrupção cometido por qualquer cidadão da Malásia ou residente permanente em qualquer lugar fora da Malásia", disse Kak Lat em comunicado.

A investigação ocorre quando o governo da Malásia avalia cinco propostas estratégicas de investimento, entre elas uma da AirAsia em parceria com a companhia aérea nacional, Malaysia Airlines.

Quadrilha

Autoridades do Reino Unido disseram que o acordo com a Airbus cobriu cinco acusações de falha na prevenção de suborno na Malásia, Sri Lanka, Taiwan, Indonésia e Gana entre 2011 e 2015.

A Airbus deve pagar multas totais de 3,6 bilhões de euros (4 bilhões de dólares) para resolver investigações na França, Reino Unido e Estados Unidos, disseram promotores franceses na sexta-feira (31).

Um tribunal francês aprovou um acordo de 2 bilhões de euros para resolver alegações de corrupção relacionadas às vendas de aeronaves e satélites da Airbus entre 2004 e 2016.

A Airbus confirmou que também chegou a um acordo com as autoridades britânicas e americanas para pagar multas de 984 milhões de euros e 535 milhões de euros, respectivamente.

O total é superior aos lucros de 3 bilhões de euros que a Airbus registrou em 2018.

O acordo permitiu à Airbus evitar processos criminais que poderiam levar à proibição de contratos públicos nos Estados Unidos e na União Européia.

O Departamento de Justiça dos EUA disse que o acordo da Airbus é relacionado a um "esquema de oferecer e pagar subornos a autoridades estrangeiras, incluindo autoridades chinesas, a fim de obter e manter negócios, incluindo contratos para vender aeronaves".  A empresa tinha um esquema para usar parceiros de negócios de terceiros para subornar funcionários do governo e executivos de companhias aéreas não-governamentais em todo o mundo , afirmou o DoJ.

Admissões e documentos judiciais mostraram que o esquema de suborno da Airbus havia começado em pelo menos 2008 e continuado até pelo menos 2015, acrescentou o DoJ.

As autoridades francesas deram menos detalhes das acusações, mas disseram estar relacionadas a possíveis crimes, incluindo suborno de autoridades estrangeiras, abuso de ativos da empresa e fraude por uma quadrilha organizada.

Em 2016, a agência britânica de crédito à exportação UK Export Finance alertou sua contraparte francesa COFACE para "múltiplas inconsistências" nas declarações da Airbus sobre seus intermediários e quanto haviam sido pagos.

Seguiu uma investigação de quase quatro anos sobre as vendas do maior grupo aeroespacial da Europa para mais de uma dúzia de mercados no exterior.

* Com informações do Gulf Times, The Telegraph, New Straits Times, Expresso

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