Atualização 25/05 - A posição da OMS é de apoio aos testes com o medicamento, contrariando algumas veiculações. Segundo informou o Secretário-Geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, os ensaios clínicos em andamento prosseguirão nos 400 hospitais dos 35 países em que estão sendo conduzidos.

Soumya Swaminathan, cientista sênior da OMS, afirmou "há muito poucos estudos randomizados e é importante recolher informação sobre a segurança e eficácia”.

"Os dados dos estudos observacionais [como este mais recente, publicado pela Lancet] podem ser enviesados”, afirmou a especialista. “Queremos usar [a hidroxicloroquina] se for segura e eficaz, se reduzir a mortalidade e os internamentos e se os benefícios forem mais do que os danos”.

Swaminathan reproduziu na segunda-feira as ponderações da MHRA, constantes no documento enviado no domingo (24) aos pesquisadores do projeto Recovery, autorizando e incentivando a continuidade dos estudos da hidroxicloroquina.

A OMS, atualmente liderada por um político profissional, infelizmente tem procurado os holofotes para projetar uma falsa imagem de governança global e pouco acrescentado aos esforços mundiais de combate ao vírus.

(Com informações do Jornal i)
Atualização 26/05 - Os hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein, em São Paulo, informaram que os testes e pesquisas não serão interrompidos.

(Com informações do G1)

A autorização da MHRA foi anunciada neste domingo (24) pelos pesquisadores do projeto Recovery (Randomised Evaluation of Covid-19 Therapy), um ensaio clínico nacional liderado pela Universidade de Oxford, que tem como objetivo identificar tratamentos que podem ser benéficos para pessoas hospitalizadas com Covid-19,

Na manhã do domingo, os pesquisadores receberam uma confirmação por escrito da agência regulatória, informando ser aceitável o recrutamento de voluntários e a continuidade de testes randomizados com hidroxicloroquina.

"Na sexta-feira, 22 de maio, recebemos uma carta da MHRA na qual eles nos notificaram de suas preocupações relacionados ao uso da hidroxicloroquina como tratamento para pacientes com Covid-19 à luz da recente publicação de Mehra et al. no The Lancet em 22 de maio de 2020", diz a confirmação enviada à equipe do Recovery pelos encarregados de investigar o assunto.

Os investigadores informaram que o Comitê de Monitoramento de Dados (DMC) conduziu uma revisão dos dados, comparando a hidroxicloroquina e o tratamento padrão, e não encontrou motivo convincente para suspender o recrutamento por razões de segurança, recomendando a continuidade do recrutamento.

Na avaliação dos chefes da investigação, qualquer pausa no recrutamento, além de injustificada, não seria do interesse dos participantes do estudo e da saúde pública.

"O estudo Recovery continua, portanto, conforme o planejado, sem alterações no protocolo e todas as alternativas de tratamento permanecem abertas à inscrição de voluntários", determinaram Peter Horby, professor de Doenças Infecciosas Emergentes & Saúde Global, e Martin Landray, professor de Medicina e Epidemiologia, os dois especialistas que chefiaram a investigação.

Atualmente, o Recovery é o maior estudo randomizado controlado do uso da hidroxicloroquina para a Covid-19, mas ainda não é suficientemente grande para detectar (ou descartar) efeitos moderados, porém importantes, do tratamento.

No parecer, os investigadores citaram dois estudos observacionais do uso da hidroxicloroquina, publicados recentemente em revistas médicas de prestígio.

"Os autores dos dois trabalhos concluem que seus achados devem ser interpretados com cautela, não são definitivos, e que ensaios clínicos randomizados controlados são necessários para chegar a qualquer conclusão sobre os benefícios ou danos da hidroxicloroquina para a Covid-19", resumiram os chefes da investigação da MHRA.

Recovery

Uma série de tratamentos em potencial tem sido sugerida para a Covid-19, mas ainda não se sabe se algum deles será mais eficaz em ajudar as pessoas a se recuperarem do que o padrão usual de atendimento hospitalar dado a todos os pacientes. O Recovery está testando alguns destes tratamentos:

  • Lopinavir-Ritonavir (comumente usado para tratar o HIV)
  • Dexametasona em baixa dose (um tipo de esteróide, que é usado em uma variedade de condições geralmente para reduzir a inflamação)
  • Hidroxicloroquina (relacionada a um medicamento antimalárico)
  • Azitromicina (um antibiótico comumente usado)
  • Tocilizumab (tratamento anti-inflamatório administrado por injeção)
  • Plasma convalescente (coletado de doadores que se recuperaram da Covid-19 e contém anticorpos contra o vírus SARS-CoV-2)

Os testes do Recovery são financiados pela Universidade de Oxford, Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde (NIHR), Centro de Pesquisa Biomédica NIHR Oxford, Wellcome, Fundação Bill & Melinda Gates, Departamento de Desenvolvimento Internacional, Health Data Research UK, Unidade de Pesquisa em Saúde da População do Conselho de Pesquisa Médica, e Fundo de Suporte da Unidade de Ensaios Clínicos da NIHR.

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