O investimento em empresas inovadoras tende a ocorrer em ondas. Geralmente há um ou dois modismos nos quais muitas pessoas estão correndo para colocar dinheiro. No momento, é criptografia, há pouco tempo era inteligência artificial.

Cerca de cinco anos atrás era a gig economy.

Todos estavam tentando lançar a "uberização" de algum serviço. O aparente sucesso inicial da Uber deixou muitos especulando que seu modelo poderia se espalhar para qualquer número de outros setores. Os valores das startups que deram início à economia dos bicos mediados por aplicativos eram estratosféricos.

A proposta da gig economy era minimizar os custos de transação utilizando a Internet para expandir o conjunto de mercados de trabalho que poderiam usar trabalho temporário, uma espécie de micro-terceirização sob demanda.

As plataformas gig estão falhando porque não podem reduzir os custos de transação da forma como as empresas tradicionais podem. Na maioria dos casos, as reduções não justificam o investimento massivo e o valor atribuído a essas companhias.

A mania da economia dos bicos desapareceu quando ficou claro que o modelo de negócios não fazia sentido para muitos serviços e é inerentemente limitado em muitos mercados – "Uber para X" simplesmente não funcionava para a maioria dos valores de X. E, portanto, uma indústria que deveria transformar a face do mercado de trabalho norte-americano acabou fazendo muito pouco em termos de mudança na forma como as pessoas trabalham.

Mas ainda há alguns grandes sucessos – Uber, Lyft, DiDi, Airbnb, Instacart e DoorDash. E, mais recentemente, OnlyFans, que permite que muitas pessoas ganhem como freelancer – não está claro onde termina a economia dos bicos e começa a "economia do criador".

As histórias de sucesso também estão sob pressão

O modelo de negócios da Uber, Lyft e DiDi transfere todos os custos do transporte para os "contratados independentes". Uma vez que centenas de milhares de motoristas com capital e experiência de negócios limitados não podem gerenciar esses custos tão bem quanto uma empresa de táxi, a plataforma gig é menos eficiente em cortar custos do que os concorrentes de empresas tradicionais.

O resultado são tarifas mais altas do que o mercado está disposto a pagar.

Apesar dos aumentos de preços no 2º trimestre a Uber registrou "prejuízo ajustado" de US$ 509 milhões. Os custos e despesas totais aumentaram em mais de 57% ano a ano, para US$ 5,12 bilhões. Não é uma falha de administração. A ineficácia é inata e considerada no modelo de negócios e estratégia da empresa.

Os investidores nunca esperaram que seus retornos viriam de um desempenho superior em mercados competitivos.

A esperança sempre foi que os subsídios permitiriam à Uber tirar concorrentes como a Lyft do mercado, e então aumentar os preços para obter lucros.

Mas os preços subiram, a Lyft ainda existe, e concorrentes locais podem facilmente entrar no mercado e competir efetivamente em uma cidade ou país sem precisar atingir a escala da Uber, Lyft ou DiDi.

Provavelmente a Uber, Lyft e Didi sobreviverão, mas não na escala que os investidores esperavam. A Uber fez com que muitas pessoas começassem a usar o serviço subsidiando viagens, mas isso não fez com que ficassem dependentes.

Mesmo sem outros concorrentes diretos, Uber, Lyft e Didi tem competidores oferecendo alternativas de transporte com custos menores. Quando os preços sobem, a maioria pega um táxi, metrô, ônibus, trem ou usa seu próprio carro.

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