Quando o governo transformar os mecanismos de vigilância, os efeitos práticos serão nulos – as pessoas já os anteciparam na sua vida cotidiana.

"Os cidadãos foram sempre mais rápidos a reagir aos contextos da pandemia do que as autoridades, fosse quando se isolaram perante uma ameaça que desconheciam, seja agora, quando tentam levar uma vida normal depois de perceberem que não há riscos extraordinários", diz editorial de Manuel Carvalho, diretor do Público, um dos jornais mais prestigiados de Portugal.

"Há nesta atitude sinais de sensatez e inteligência suficientes para contrariar os que em tempos definiam o acatamento das instruções das autoridades de saúde como um sintoma de uma sociedade submissa e com falta de amor às liberdades individuais. O que se passou e está a passar mostra o contrário. Mostra uma sociedade autônoma, consciente e capaz de avaliar os riscos para decidir as suas vidas em conformidade. Se houve momentos em que a reclusão e o medo foram essenciais para conter a pandemia, agora o desejo de viver sem pavores é um estímulo de confiança que facilitará o regresso à normalidade", avalia Carvalho.

Embora haja esperança de um anúncio oficial, como os governos da Noruega, Dinamarca ou da Irlanda fizeram, espera-se que as autoridades portuguesas "ao menos revelem dados precisos e claros sobre internamentos e mortes que tenham a covid-19 como causa principal", reivindica o diretor. " Manter a opacidade não muda a percepção das pessoas sobre a presente ameaça do vírus: serve apenas para alimentar as absurdas teorias da conspiração que por aí circulam".

O editorial contrasta com o posicionamento do jornal nos últimos dois anos.

"Este ponto de vista teria sido oportuno há um ano atrás, mas nessa altura MC andava embrenhado na sua cruzada maniqueísta contra os negacionistas. Felizmente 'a sociedade autónoma' consegue sempre ser mais lesta que os especialistas do convénio maniqueísta...pena que se deixe facilmente manipular por estes vira-casacas", comenta o leitor que assina Fernando Franco.

"Manuel Carvalho, desculpe lá, mas o óbvio que você veio aqui assinalar é o mesmo que muitos já dizem há muito tempo:A pandemia acaba no dia em que as pessoas decidirem, não os governos. A questão é só esta: as pessoas já se deviam ter rebelado há mais tempo. E só não o fizeram por causa de uma incessante campanha artificial do medo levada a cabo pelas autoridades e pela comunicação social, da qual você faz parte. Efectivamente, os números na saúde estão perfeitamente normalizados desde o Verão; desde, diria mesmo, que os mais velhos ficaram vacinados. O Outono foi de uma banalidade total na saúde. E o Inverno está a nível igual, ou mesmo inferior, a um Inverno com gripe. Então porquê a ruína total e o histerismo durante este tempo todo? Há muitos responsáveis por isto, calma", resume o leitor Miguel.

"A que teorias da conspiração se refere? Não haverão por esta altura 'teorias da conspiração' que já não são bem 'teorias da conspiração'? Será que a DGS tem interesse em começar a ser transparente ou prefere continuar a ser opaca e esperar que a vida volte ao normal sem ninguém fazer muitas perguntas? Perante o artigo de opinião da Editora de Sociedade do Público, não seria de esperar uma investigação jornalística para se chegar ao fundo da questão?", pergunta o leitor M. Arievlio.

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