O número médio de filhos por mulher diminuiu de 2,5 em relação às mulheres nascidas no início da década de 1920, para 2,0 filhos em relação às mulheres das gerações pós-guerra (1945-49), para o nível estimado de 1,44 filhos para mulheres nascidas em 1977.

Em 2017, o número médio de filhos por mulher caiu para 1,32, comparado a 1,46 em 2010. A taxa de fertilidade foi de 1,24 para as italianas e de 1,98 para as estrangeiras vivendo na Itália: uma queda significativa em comparação com sete anos antes, quando o número médio de filhos era 1,34 para as italianas e 2,43 para as estrangeiras.

A diminuição de nascimentos foi caracterizada por uma redução de 25% de nascimentos do primeiro filho, de 284 mil em 2008 para 214 mil em 2017.

O recente declínio nos nascimentos resultou principalmente da redução de filhos de pais italianos –  apenas 359 mil nascimentos em 2017 (-121 mil em nove anos).

Em 2017, crianças romenas (14.693), marroquinas (9.261), albanesas (7.273) e chinesas (3.869) somaram 52% do total de nascimentos estrangeiros na Itália.

De 2014 a 2018, a população diminuiu em 700 mil pessoas. Pela primeira vez em 90 anos, a população italiana caiu para cerca de 55 milhões, segundo o Istituto Nazionale di Statistica (ISTAT). A população estrangeira com origem fora da União Europeia soma 3,7 milhões. A população total alcança 60 milhões.

Em 2019, a Itália registrou o menor número de nascimentos de toda a série histórica, iniciada em 1861. Com apenas 440.000 crianças nascidas, menos da metade do número de italianos que morreram, a população está envelhecendo e diminuindo constantemente. Um em cada quatro italianos têm mais de 65 anos.

Agravando o declínio populacional, há um significativo aumento na emigração de jovens para outros países europeus em busca de oportunidades de emprego. Segundo a ISTAT, 160 mil italianos deixaram o país em 2018, o nível mais alto desde o início dos anos 80.

Os demógrafos veem a situação da Itália como particularmente grave dada a sua elevada dívida pública e as despesas futuras com aposentadoria. As projeções indicam que em 2050 o número de aposentados será maior que o de ativos.

Na tentativa de ressuscitar cidades no sul do país, prefeitos estão doando casas abandonadas para refugiados que cruzaram o Mediterrâneo ou para qualquer pessoa que queira morar na cidade.

A idéia de que a migração poderia preencher a lacuna demográfica, no entanto, tornou-se profundamente politizada. Por exemplo, Tito Boeri, ex-chefe da previdência italiana, foi amplamente criticado por políticos por sugerir que mais trabalhadores migrantes eram necessários para pagar pelo crescente número de aposentados italianos –  solução que o vice-presidente brasileiro Hamilton Mourão provavelmente caracterizaria como pirâmide.

A Liga, que estava no governo até agosto do ano passado, concentrou-se na necessidade de mães italianas terem mais filhos.

“Somos como um país em extinção? Infelizmente, sim. Um país que não tem filhos não tem futuro”, escreveu Mateo Salvini no prefácio de The Empty Cradle of Civilisation. The Origins of the Crisis, um livro de Lorenzo Fontana e Ettore Gotti Tedeschi, ex-presidente do Banco do Vaticano, sobre demografia italiana.

No livro, os autores argumentam que os italianos estão em risco de extinção como resultado da decisão de preencher a lacuna demográfica com um fluxo contínuo de imigrantes. A substituição étnica resultaria na eliminação da identidade italiana.

“Por um lado, [temos] o enfraquecimento da família e as uniões homossexuais, a teoria do gênero nas escolas; por outro lado, a imigração em massa que estamos absorvendo e a emigração de nossos jovens ... esses fatores poderiam levar a eliminação de nossas comunidades e tradições. O perigo é a eliminação do nosso povo”.

A Itália é o Brasil em 2040

A taxa de fecundidade brasileira é de 1,7 –  abaixo do nível de reposição (2,1).

Em entrevista à Revista Problemas Brasileiros, Rubens Rícupero previu que daqui a 20 anos a população brasileira começará a diminuir e o país terá que recorrer a imigração para voltar a crescer. Não haveria outra maneira, porque, em geral, o comportamento demográfico é quase sempre irreversível. O que pode ser feito agora é criar condições para que as mães tenham mais filhos, oferecendo benefícios por filhos adicionais, licença-maternidade mais longa, muitas creches, "tudo o que não temos".

* Com dados e informações do Istituto Nazionale di Statistica, The Guardian, FT, Revista Problemas Brasileiros

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