No seu quinto discurso de Ano Novo desde que tomou posse como Presidente da República, em 2016, Marcelo defendeu que, em 2022, Portugal deve “consolidar o percurso para a superação da pandemia”.

“Estamos encaminhados, mas falta o fim dos fins. Janeiro a março será o tempo crucial para que o inverno ajude a fechar um capítulo da nossa história, e converta preocupações e aflições em esperanças e confianças”, afirmou.

Segundo o Chefe de Estado, 2022 tem de ser o ano em que o país reinventa “as vidas congeladas, adiadas, trucidadas pela pandemia”, designadamente através do uso dos fundos europeus, que devem ser aplicados “com transparência, rigor, competência e eficácia, combatendo as corrupções e os favorecimentos ilícitos”.

O pronunciamento foi focado em 5 pontos chave: consolidar, decidir, reinventar, reaproximar, virar a página. Marcelo Rebelo de Sousa apelou ainda a que se redescubra a solidariedade e se cuide “dos mais sacrificados pela pandemia, pelo desemprego, pela insolvência pela paragem da vida”, elencando “os mais idosos, os mais doentes, os portadores de deficiência, os desamparados na escola, na busca de profissão ou de casa, na integração numa sociedade diversa”.

“Em particular, olhando para as crianças, cujo futuro tem ficado esquecido pela prioridade dada aos chamados grupos de risco. Elas e eles, todos aqueles que vivem no passeio sem sol da rua da nossa vida comum, vão demorar muito mais tempo a aprender a reviver após o que sofreram”, acrescentou.

Marcelo lembrou que os primeiros seis meses de 2021 “foram, aqui e lá fora, mais duros do que em 2020, em pandemia, paragem econômica, crise social, descompensação nas pessoas e desgaste nas instituições”.

“Resistimos, contivemos, vacinamos, reabrimos escolas presenciais, pusemos a economia a arrancar, exportamos, recebemos turistas outra vez, ensaiamos começar de novo”, destacou.

O presidente português, contudo, reconheceu que a pandemia “teimou em persistir no final do ano” – Portugal bateu, nos últimos dias de 2021, os recordes diários de casos de covid-19 –, mas sustentou que a subida dos contágios obriga o país, “serena, mas teimosamente, a testar, a vacinar, a resistir” e a “aprender a conviver” com a pandemia.

“Com a paciência de quem já viveu quase 900 anos. Já perdeu, já recuperou a independência, já teve milhentas crises, ultrapassou-as o melhor que pode e soube. Mas, desta vez, tem muito mais a fazer para recuperar o tempo perdido”, disse Marcelo.

“2022 tem mesmo de ser ‘ano novo, vida nova’, num mundo com menos pandemia, mais crescimento, menos pobreza, mais empenho nos desafios do clima, menos egoísmo de povos e Estados, mais atenção ao custo imediato da vida, da energia e dos bens básicos, numa Europa com mais convergência, menos esperas, mais reconstrução, menos desigualdades, mais aposta na juventude, menos solidão para aqueles já não jovens, sobretudo nos países em rápido envelhecimento”, enumerou o Presidente de Portugal.

Marcelo também abordou as eleições legislativas de 30 de janeiro para defender que os portugueses terão de decidir “uma Assembleia da República que dê voz ao pluralismo de opiniões e soluções, um Governo que possa refazer, também ele, esperanças e confianças perdidas ou enfraquecidas, e garantir previsibilidade para as pessoas e para os seus projetos de vida”.

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